Financiamento
Banco Mercedes-Benz reduz juros e crédito cresce 16%
Ter, 15 de Maio de 2012 10:59    PDF Imprimir E-mail
O Banco Mercedes-Benz reduziu juros no financiamento de veículos e registrou expansão de 16% na concessão de crédito nos primeiros quatro meses do ano, de acordo com balanço divulgado nesta terça-feira.

As taxas mínimas do banco caíram do patamar de 0,99% ao mês para zero, se o financiamento for de 12 meses, ou 0,49% se for 24 meses. Para períodos maiores, de 36 meses, o juro caiu para 0,69%. O diretor comercial do banco, Angel Martínez, afirma que o movimento de redução dos juros dos bancos maiores só agora trouxe a taxas deles para 0,99% ao mês, nível que o banco Mercedes usava desde novembro do ano passado.

Entre janeiro e abril, o Banco Mercedes-Benz liberou R$ 1,32 bilhão em empréstimos, para financiar a compra de 7.002 veículos zero-quilômetro da montadora alemã. Os negócios com veículos comerciais (caminhões, ônibus e vans) foram a maioria, com 6.748 unidades financiadas.

No total de empréstimos da instituição no quadrimestre, o repasse da linha Finame do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que também teve juros reduzidos, foi responsável por 78% das operações. O Crédito Direto ao Consumidor (CDC) veio em seguida, com 21% e o leasing, com 1%.

A taxa de inadimplência, que vem subindo desde meados do ano passado, manteve em abril tendência de alta, segundo o executivo. "Ainda não dá para dizer se a taxa atingiu seu pico. A inadimplência vem subindo mês a mês", diz. Com o aumento dos calotes, os bancos de montadoras têm sido mais seletivos em liberar crédito.

Martínez afirma que o Mercedes aprova, em média, mais de 40% das propostas de empréstimo para veículos comerciais que recebe. A carteira do Banco Mercedes-Benz fechou abril com saldo de R$ 9,6 bilhões, alta de 33% ante o mesmo mês de 2011.

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Trabalhadores pedem reunião com Mantega para discutir restrição dos bancos a financiamento de veículos
Sex, 11 de Maio de 2012 23:43    PDF Imprimir E-mail

11/5/2012 23:33, 

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Preocupado com a queda da venda de veículos automotores e com a manutenção do emprego no setor automobilístico, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, disse hoje (11) que solicitou reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para discutir formas de destravar o financiamento de automóveis.

Balanço divulgado na última segunda-feira (7) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostra queda de 15,5% na produção setorial em abril, na comparação com março. No acumulado de janeiro a abril, foi registrada retração de 10,1%.

Nobre declarou que as pessoas querem comprar automóveis, mas as vendas de veículo estão paralisadas porque o financiamento está mais rigoroso e muitas vezes é negado. “Eu tenho informação de que, de cada dez pedidos de financiamento, em média três são liberados. Os bancos estão reduzindo os juros, mas não liberam o crédito. É a ausência do crédito que está paralisando a produção”.

Após participar de reunião com o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson de Andrade, com quem discutiu acordo coletivo de trabalho, Nobre  mostrou especial preocupação com a possibilidade de haver demissões na cadeia automobilística caso as vendas não voltem ao normal para que os estoques se esgotem e obriguem à retomada da produção.

“O comprador não tem seu financiamento aprovado sob a alegação do aumento da inadimplência. Se os bancos continuarem com esse comportamento, a economia vai parar e nós vamos ter demissão. Por isso, estamos muito preocupados”. Ele lembrou que as férias coletivas já vêm ocorrendo desde o início do ano.

Nobre disse que, caso a situação se mantenha no próximo mês, mesmo com as empresas dando férias coletivas aos funcionários, pode haver perda dos postos de trabalho. “Os estoques estão no limite. As grandes empresas ainda têm fôlego financeiro para segurar os trabalhadores dando férias coletivas, mas as empresas que são fornecedoras não têm esse fôlego. As empresas menores, quando não têm produção, demitem”.

O presidente da CNI concordou com a possibilidade de demissões, apesar de não esperar que a indústria brasileira chegue a esse ponto. Robson de Andrade atribuiu o aumento dos estoques à inadimplência crescente e aos juros elevados, que acabam retraindo o consumidor.

“Há ainda muitas notícias sobre desindustrialização e possibilidade de perder emprego. Tudo isso faz com que as pessoas fiquem mais cautelosas e procurem não consumir”.

Andrade tem expectativas de que, com as medidas tomadas pelo governo para reduzir juros, melhorar o câmbio e aumentar os prazos de pagamento, a situação comece a se reverter.

“No primeiro trimestre do ano, nós tivemos queda nas vendas e na produção de todos os produtos industrializados no Brasil. As pesquisas que a CNI tem [realizado] junto ao empresariado para os próximos meses é de tendência de melhoria, com consumo dos estoques e volta da produção”.

Edição: Davi Oliveira

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